Parte 1 - A Eslováquia, a Hungria e a bolsa

Por Bianca Smolarek | Países:Eslováquia e Hungria
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- Levo ou não levo o tripé?

- Mas, André, é uma viagem de apenas uma semana! É melhor não perdermos tempo carregando, montando e desmontado tripé, né?

- E o netbook? Levamos ou não?

- É uma viagem muito curta! Quanto menos tralha levarmos, melhor. Vai passar tão rapidinho, que nem pensaremos em ligar o computador.

- Eu deixo o tripé, mas levo o netbook.

- Ok! Mas, além da minha bolsinha, levaremos só a malona e uma mochila para os dois. Sem mais tralhas!

Esse foi o principal diálogo entre mim e meu marido sobre a arrumação da bagagem para uma viagem de sete dias por Viena (Áustria), Bratislava (Eslováquia) e Budapeste (Hungria), exatamente há um ano, setembro de 2011. Não conversamos sobre como levar dinheiro e cartões de crédito, fazer cópias dos passaportes, anotar telefones de embaixadas e consulados ou outras questões básicas para qualquer turista. Ambos já haviam viajado ao exterior uma dezena de vezes e conheciam muito bem as regrinhas de segurança e organização em viagens.

É preciso admitir que, aos minimamente experientes, precauções como levar dinheiro no sapato, carregar pochete por dentro da roupa e perder horas tentando entender como funciona o cofre do hotel podem parecer coisa de “iniciante”. E não nos sentíamos nada “iniciantes” quando embarcamos para Viena, cheios de informações, planos, marras e manhas. Se em nossa outra viagem à Europa – quando passamos 27 dias circulando por 11 cidades em nove países diferentes – não houve qualquer intercorrência, o que poderia acontecer numa viagem de sete dias? A resposta correta é: muita coisa!


Áustria: um capítulo à parte. O importante aqui é reparar na bolsinha.

Após três dias deslumbrantes em Viena (cidade que merece um capítuloà parte), tomamos um trem para Bratislava, a cidade que mais nos desafiava a conhecê-la, por ser de longe uma capital menos turística que as outras que visitamos.  Alguém aí ouve falar em Bratislava sem lembrar do filme Eurotrip, um dos maiores clássicos da Sessão da Tarde? Só quem ainda não teve o prazer de conferir a obra.

Felizmente, encontramos uma cidade muito mais bonita e agradável do que vimos no filme. Digamos que Bratislava é uma cidade peculiar. Quando chegamos à Estação Central, a primeira impressão foi parecida com a que tive em Atenas – de estar mais na América Latina do que na Europa –, mas em beeeeeeeeem maior intensidade! O lugar não era limpo, as pessoas não eram simpáticas e nenhuma palavra era em inglês. Encontramos todo tipo de look anos 80, incluindo aqueles famosos moicanos do movimento punk.

Só por precaução – afinal, lá em cima já escrevi que sou uma turista “minimamente experiente” e precavida, né? –, tirei meus brincos e o anel de ouro e guardei na bolsinha (uma daquelas que cruzam o tronco, ótimas para viagens). Achei melhor evitar chamar atenção, mesmo que o André tenha previsto mil vezes que não seríamos assaltados em Bratislava. Ele tinha razão. Fora da estação de trem, a capital eslovaca é muito mais amigável. Passeamos, conhecemos gente, compramos bugigangas, comemos pratos típicos e aproveitamos a vista no alto do Castelo de Bratislava.


Estação de trem em Bratislava. E a bolsinha ali!

Conforme programado, no fim da tarde voltamos à estação para pegar nossas malas e o trem em direção à Budapeste – sim, Bratislava não exige mais que um dia de visita. Enquanto esperávamos, André tomava a “saideira” e eu pensava com felicidade em como tudo tinha corrido bem naquela cidade misteriosa e em como eu fora boba por sentir medo. Até a nossa malona, que passou o dia no leftluggage da estação (pelo preço de dois euros/dia), estava intacta. Agora, era só seguir para o destino mais sonhado: a capital da Hungria, cidade dos banhos e do “Danúbio Azul”.

A viagem de trem entre Bratislava e Budapeste leva cerca de duas horas e meia. Tempo suficiente para largarmos um pouco a bagagem, descansarmos (apesar do meu temor de que a malona, amparada no bagageiro de teto, caísse nas nossas cabeças) e revermos nossos planos para os próximos dias. Enquanto consultávamos o Frommer’s, um casal alemão ao nosso lado puxou papo. Falamos da Alemanha, do Brasil e, finalmente, da Hungria. Eles já conheciam nosso próximo destino e deram várias dicas sobre o que fazer em Budapeste. Por fim, se ofereceram para nos mostrar o metrô mais próximo, de onde seguiríamos para o hotel.

Eram 19h45 quando o trem parou na estação Keleti, na região central de Budapeste. Os determinados alemães logo levantaram, foram em direção à porta. Nessa hora, eu ainda estava olhando pela janela, o André ainda estava sentado e a malona ainda estava no bagageiro de teto. Que vergonha atrasar os alemães! Pulamos das poltronas e nos dedicamos à difícil engenharia de, cansados, baixar a malona lá de cima. Deu certo! Reparei que já tinha colocado a mochila nas costas e, então, lá fomos nós seguindo o simpático casal de cabelos desgrenhados e pernas peludas.

A primeira coisa que vimos em frente ao trem foi uma agência de câmbio. Lembrando que a moeda húngara é o forint e não o euro, André disse: “Vamos trocar algum dinheiro?”. Eu, preocupada em não atrapalhar ainda mais os alemães, respondi: “Vamos primeiro ver onde é o tal metrô e liberar o casal. Depois resolvemos todo o resto!”. Antes tivesse parado logo ali para fazer câmbio...

Ao chegar no metrô, os alemães nos perguntaram se tínhamos dinheiro húngaro. Dissemos que não, que ainda íamos trocar, então se ofereceram para trocar alguns euros ali mesmo. Foi quando tentei abrir o zíper da minha bolsinha para pegar a grana e ela... ela não estava em mim! “Merda, deixei a bolsinha no bolso da poltrona do trem!”, pensei. Sim, o “largarmos um pouco a bagagem” que escrevi acima significa também “fazer a estupidez de tirar do corpo a bolsinha com os brincos e o anel de ouro (e outras cositas más)”.

Sem explicar, abandonei alemães, André e a malona no guichê do metrô e corri como não fazia há anos até a plataforma onde deixamos o trem. Apesar da pesada mochila nas costas e uma escada pela frente, corri muito (é como se eu ouvisse um heavy metal naquela hora) e cheguei rápido para viver uma famosa cena de filme: aquela em que você corre ao longo da plataforma, atrás do trem que começa a partir. “Stop, stop, stop, stooooooooooooooop”, gritei chorando, enquanto o trem se deslocava lentamente. O veículo não parou e eu fiquei ali, incrédula, pensando que naquele momento a minha bolsinha estava voltando para os punks de cabelo moicano de Bratislava.

Virei para trás e lá estava André, sem entender nada, arrastando lentamente a malona. “O que houve?”. “A bolsinhaaaaaaaaaaaa, ficou no treeeeeeeeem”, tentei dizer (depois da corrida com a mochila nas costas, até respirar era difícil). “Com todo o dinheiro que temos?”, perguntou ele, referindo-se aos menos de 50 euros que lá estavam. “E todos os nossos cartões de crédito! E os passaportes!”, completei, para desespero do pobre.

André olhou assustado para o trem, que incrivelmente ainda não tinha deixado a estação, graças a um sinaleiro entre os trilhos cuja luz vermelha estava acesa. Sem pensar duas vezes, colocou-se a correr bem mais do que eu pude minutos antes (mas com a vantagem de não estar carregando mochila alguma, diga-se de passagem). Vê-lo correr tão desesperadamente me fez ouvir o heavy metal de novo. Mas foi mais uma maratona em vão: o trem logo voltou a andar. André desistiu e, desolado, começou a retornar em minha direção (nessa hora, ouvi um réquiem). Até que o trem parou de novo, num segundo sinaleiro e, com todo o barulho da estação, comecei a apontar e gritar “o trem parou, o trem parou de novo!”. André olhou para trás, e o heavy metal recomeçou, pela última e inutilmente vez...


Nossas malas na plataforma do trem...

O trem se foi, com bolsinha, brincos, anel, dinheiro, seis cartões de crédito e nossos passaportes. No bolso, apenas dois euros, troco da “saideira” do André em Bratislava. E isso a 72 horas do nosso embarque de volta ao Brasil. Como resolver? Quanto tempo levará? Como voltar pra casa? Quanto isso vai custar? E o sonho de conhecer Budapeste, onde fica nessa história?

.....E o vídeo registrando como eu estava no momento

No próximo capítulo:
- .....À minha cabeça só vinham ideias desconexas, como “achar embaixada”, “tentar telefone”, “bloquear cartões”, “pedir ajuda a quem?!”, “Meu Deus!”......
- .....Durante 40 minutos tentamos nos comunicar e entender o que a polícia estava fazendo em relação ao nosso caso. Eles conversavam em húngaro.....
- ....Mas a mulher estava extremamente mal-humorada – provavelmente por ter sido acionada numa quarta-feira à noite...

Não perca! Quinta tem a segunda parte!

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Analisador de destinos?

Como é bom a "pré-viagem", não? Aquela preparação, a expectativa, os detalhes. Vivendo a viagem, a partir de agora, será seu companheiro do início até o fim de sua viagem. Quer saber como tira visto para a Turquia? Aqui você descobre como. O que fazer para minimizar o risco de extraviar suas malas? Aqui tem. . E muitas outras coisas bacanas. Agora em um só lugar.

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Vivendo a viagem é sobre turismo, hotéis, resorts, pousadas, pacotes turísticos, destinos, passagens, câmbio, restaurantes, passeios e tudo mais que envolve uma viagem seja nacional ou internacional. É sobre as roubadas que sempre existem, sobre aquela vontade deliciosa de explorar o desconhecido. É sobre viajar mas, acima de tudo, é sobre viver ou sobreviver em outras cidades.